Pontos de Jongo

PISEI NA PEDRA (ponto de louvação, Darcy Monteiro)
Pisei na pedra, a pedra balanceou,
levanta meu povo, cativeiro se acabou.

EU CHOREI (ponto de visaria, Manuel Bam-Bam-Bam)
Eu chorei, eu chorava,
era minha mãe que me acalentava.
Bem pequenininho, mamãe me embalava,
por isso que eu chorei, por isso que eu chorava.
Ia para a rua, na rua eu brigava,
era minha mãe que me consolava.
Meu pai me batia, ai, como apanhava,
era minha mãe quem desapartava.
E a professora quando me reprovava,
era minha mãe quem me incentivava.

VAPOR DA PARAÍBA (Vovó Teresa)
Vapor berrou na Paraíba,
chora eu, chora eu Vovó.
Fumaça dele na Madureira,
e chora eu.
O vapor berrou piuí, piuí.
Ô irê, irê, irê,
ô irê, irê, irê.
(Vovó Teresa conta nesse jongo a sua ida de trem de Paraíba do Sul para o subúrbio de Madureira. Vendo a fumaça do trem de ferro Maria-Fumaça, lembrava das chaminés dos navios do Rio Paraíba).

PAPAI CORTA A LENHA (ponto de visaria, Darcy Monteiro)
Papai corta a lenha,
boi puxa, auê,
Junta de boi novo,
brandia, óia só.
Os tambores candongando no terreiro,
rapaz pra ser bonito tem que ser jongueiro.
Aos domingos tinha jongo na fazenda,
moças vestindo chitas, babados, rendas.
13 DE MAIO (ponto de louvação, Djanira do Jongo)
No dia 13 de maio,
cativeiro acabou,
e os escravos gritavam
liberdade senhor.
AI MORENA (ponto de visaria, Vovó Maria Joana)
Ai morena,
tenho muito o que fazer.
Tenho roupa pra lavar, ô morena,
e botão para colher.
Vou embarcar na diligência das onze horas,
trem de ferro inda não veio, chegou agora.
EU NUM É DOUTÔ (Pedro Monteiro)
Eu num é doutô,
eu num é “fermêro”.
Como vai tomá conta de butica na Piedade?
Eu num sabe lê,
eu num sabe “crevê”.
Como vai tomá conta de butica na Piedade?

DESAFORO (ponto de demanda, Vovó Maria Joana)
Desaforo de camundongo pegou vara e foi carriá,
ninho tá na paineira, quero ver quem vai tirar.
Ai papai, ai mamãe,

PAPAI SUBIU O MORRO DE SÃO JOSÉ (ponto de visaria, Lazir Sinval)
Papai subiu o Morro de São José,
chuva fina, tava garoando.
Ô ire, o Morro de São José
chuva fina, tava garoando.
Papai já tinha que pagar promessa pra São José,
tava garoando.
Subia o morro o sapato apertava seu pé,
chuva fina, tava garoando ô rirê.

EU TENHO PENA (ponto de demanda, Darcy Monteiro)
Eu tenho pena,
eu tenho dó,
de ver Maria de saia sem paletó.
A Maria foi ao jongo
de saia de mirinó,
seu cordão arrebentou
sua saia foi ao pó.

MARIA SUNGA SAIA (ponto de visaria, Darcy Monteiro)
Maria sunga a saia,
chuva evem pra te molhá.
Ela custô lavá,
chuva evém pra te molhá.
Maria sunga a saia,
chuva evém pra te molhá.

JONGUEIRO BOM (ponto de demanda, Darcy Monteiro)
Jongueiro bom é de Lorena,
Matou galinha temperô na querozena.
Compadre eu era ossada,
hoje eu sou osso puro,
estou atirado fora,
atirado no monturo.
Canoa de arariba,
remo de araribá,
a canoa de jongueiro,
tem boca e sabe falá.
CAXINGUELÊ (VOVÓ MARIA JOANA)
Ah! Eu fui no mato…
eu fui cortar cipó..
Ah! Eu vi um bicho…
esse bicho era caxinguelê.
Eu panhei o côco,
caxinguelê tá me olhando.
Eu levei o côco,
caxinguelê tá me olhando,
Eu parti o côco,
caxinguelê tá me olhando.
Eu comi o côco,
caxinguelê tá me olhando.
Fiz pudim de côco,
caxinguelê tá me olhando.
Fiz bolo de côco,
caxinguelê tá me olhando.

SARACURA (jongo-enredo, Pedro Monteiro e Darcy Monteiro)
Quando a noite descia,
ao som da Ave-Maria,
um som de tambor se ouvia.
Dentro de uma senzala,
em um caminho pra Minas,
vozes de jongueiros se ouviam.
Na fazenda da Bemposta, em pleno Estado do Rio,
um jongueiro sentia falta do caxambu,
tocava o candongueiro, após o angú.
Cantarolava a saracura,
levou o lenço da moça
que ficou chorando,
que pecado que ela leva quando morrer.
Sabiá cantou na laranjeira,
Sá Rolinha tá de luto de sentimento,
Sinhá dona “pereguntô”: “Quê que tá chorando?”
Que pecado que ela leva quando morrer?
Ora dança o caxambú.
Eu quero ver quem dança comigo, eu quero ver?

PAPAI NA LADEIRA (ponto de despedida, Eva Emely)
Mamãe foi pro jongo,
papai ficou na ladeira.
Mamãe foi pro jongo,
papai ficou na ladeira.
De chapéu na mão,
papai ficou na ladeira.
Fumando o cigarro,
papai ficou na ladeira.
Choveu relampeou,
papai ficou na ladeira.
Neném que mamá,
papai ficou na ladeira

BANA CUM LENÇO (ponto de visaria, Vovó Maria Joana)
Bana cum lenço, bana cum lenço.
Bana cum lenço, bana cum lenço,
navio já foi embora, criola, bana cum lenço.

VOU CAMINHAR (ponto de despedida)
Vou caminhar que o mundo gira,
vou caminhar que o mundo gira,
gira meu povo.