Mestres e Mestras do Jongo

Vovó Maria Joana (1902-1986) e Pedro Monteiro
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Maria Joana Monteiro, a Vovó Maria Joana Rezadeira, nasceu em 24 de junho de 1902 na Fazenda Saudade, perto da Fazenda da Bem Posta, em Marquês de Valença, interior do estado do Rio de Janeiro. Quando criança trabalhou em lavouras de arroz, feijão e café. Seus avós paternos eram africanos, seu avô materno era negro e sua avó materna índia, “pegada no mato”.

Ainda criança, trabalhou na lavoura. Aprendeu o jongo na fazenda onde nasceu. Quando seus padrinhos morreram, órfã de mãe, Maria Joana foi morar no Rio com o pai, que também morreu logo depois. Foi morar em Cascadura, trabalhando como ama-seca. Depois de doze anos no Morro da Mangueira, mudou-se para a Serrinha, onde ficou até morrer. a05e9455afd68f3385b096ba24ee3d4a
Casou-se aos quatorze anos com o primo Pedro Francisco Monteiro, também jongueiro e cavaquinista. Pedro era carregador do Lloyd Brasileiro e, assim que chegou ao Morro da Serrinha, dedicou-se a trabalhos comunitários, ajudando a fundar a Escola de Samba Império Serrano. Vovó Maria cantava as ladainhas na Serrinha no dia de São Pedro, na casa de Vovó Líbia e Seu Antenor, e na quadra de ensaios do Império Serrano, no dia de São Jorge, antes da saída da imagem do santo para a procissão que percorre as ruas dos subúrbios. Vovó Maria desfilava no alto do carro com a imagem de São Jorge, pois era a mãe de santo mais popular de Madureira.

Dava o jongo em sua casa no dia 24 de junho, dia de São João, e data de seu aniversário. Aos vinte e sete anos, começou a desenvolver sua mediunidade e, após a morte de seu marido, construiu um espaço em sua casa para rituais de umbanda. Seu terreiro, a Tenda Espírita Cabana de Xangô, entrou para a história do Rio de Janeiro. Rezadeira famosa, recebia grande número de crianças e adultos com orações que os livrava de doenças como o “vento virado”, “espinhela caída”, “quebrantos” e outros males. Vovó também era parteira: muitas gerações da Serrinha foram aparadas pelas suas mãos.

Vovó Maria Joana Mulher de muito carisma, onde quer que chegasse sua forte presença atraía todos, que logo a cercavam para saber quem era aquela senhora tão simpática e bem vestida, com suas roupas de santo brilhantes, que ela mesma criava e costurava. Vovó dedicava todo seu tempo à caridade, abrindo a sua casa para abrigar os necessitados e oferecer-lhes um teto e um prato de comida. Em intenção a São Lázaro, o Obaluaiê da umbanda, Vovó Maria Joana realizava todos os anos na sua casa o “Banquete dos Cachorros”, ritual em que uma ceia era servida no chão, primeiramente, para os cachorros da redondeza.

Figura querida e de prestígio, cultivava amizades de artistas, intelectuais, músicos e políticos famosos. Estes, muitas vezes, vinham de longe para se aconselhar com sua ancestral sabedoria e participar dos banquetes regados a muita comida, bebida, partido-alto e jongo. Clara Nunes, que desde moça frequentava sua casa, tornou-se sua filha-de-santo, assim como diversos outros sambistas. Vovó Maria Joana sempre fez parte do mundo do samba. Ex-componente da antiga escola Prazer da Serrinha participou com seu marido, em 1947, da fundação da Escola de Samba Império Serrano, onde desde o primeiro ano desfilou na ala das baianas, além de desenhar figurinos para a escola.

Vovó Maria disse que, quando morresse, ficaria feliz por saber que tinha ensinado o jongo para muita gente e que este não iria mais acabar: “Tudo tem o seu dono. /Nós não somos donos de nada, /Mas o que recebemos temos que passar adiante.” Sua casa, na Rua da Balaiada, 124, no coração da Serrinha — ladeira onde moram as famílias Oliveira, Monteiro e Silas de Oliveira, e local de fundação do Império Serrano — ainda hoje é um núcleo que mantem vivas importantes manifestações da cultura afro-brasileira e ponto de referência para toda a comunidade e seus arredores.

Mestre Darcy do Jongo (1932 – 2001)
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Darcy Monteiro, o Mestre Darcy do Jongo da Serrinha, nasceu em 31 de dezembro de 1932 na rua da Balaiada 124, Morro da Serrinha. Filho de Pedro Monteiro e Vovó Maria Joana Rezadeira, pertencia a uma das mais tradicionais dinastias do jongo no Brasil, sendo responsável pela perpetuação do jongo na Serrinha até os dias de hoje. Seguindo os passos do pai, Pedro Monteiro, Darcy desde cedo começou a fazer trabalhos comunitários na Serrinha. De uma família de músicos iniciou sua carreira profissional aos 16 anos, tornando-se um percussionista sensacional.

Em 1947, fundou a Escola de Samba Império Serrano, onde introduziu o agogô na bateria pela primeira vez, sendo logo copiado pelas outras escolas do Rio de Janeiro. Mestre Darcy foi fundador — com Candeia, Wilson Moreira e Nei Lopes — do Grêmio Recreativo de Arte Negra Quilombo, e também da primeira escola de samba infantil, a Império do Futuro, sendo filiado à Ordem dos Músicos do Brasil desde sua fundação. Na Rádio Nacional, acompanhou grandes nomes da música, como Geraldo Pereira, Francisco Alves, Jorge Veiga, Ataulfo Alves, Marlene, Emilinha, Herivelto Martins, Monsueto, Mário Reis. Foi coreógrafo e ritmista de um trio de pandeiros no Cassino da Urca, e atuou em diversas casas noturnas da cidade. Viajou para a França, Portugal, Inglaterra, Uruguai e Argentina, participou da Companhia de Carlos Machado e das Orquestras do Severino Araújo, Maestro Guido de Moraes, Raul de Barros e Paulo Moura. Também acompanhou o jazzista Dizzy Gillespie em suas apresentações no Brasil, participou das gravações do disco “Missa dos Quilombos”, de Milton Nascimento, e de discos de cantores como Roberto Ribeiro e Beth Carvalho.

Com sua família e antigos jongueiros, fundou o grupo Jongo da Serrinha, na época chamado Jongo Bassam, a fim de retomar as rodas de jongo e divulgar a tradição. Apresentava-se com a mãe, Vovó Maria Joana Rezadeira, com a esposa, Eunice Monteiro, a irmã Eva, o filho Darcy, a sobrinha Dely, e a jongueira centenária Vovó Teresa, Tia Maria da Grota e Djanira do Jongo. Apresentou-se com o jongo em diversos teatros do Brasil e do exterior. Mestre Darcy além de músico profissional e jongueiro participava como ogã nas atividades da Tenda Espírita de Xangô tocando tambor para sua mãe e irmã.

Muito carismático Darcy era um fenômeno tocando tambor, dançava e cantava muito bem, compôs diversos jongos e sambas, dirigia artisticamente o grupo e era uma lenda viva, um personagem que ligava as novas gerações ao passado musical da cidade do Rio de Janeiro. Dono de uma forte personalidade quebrou três tabus: introduziu instrumentos de harmonia no jongo tradicional, passou a ensinar o ritmo para as crianças e levou o jongo dos quintais da Serrinha para os palcos. Nos últimos anos, Mestre Darcy ensinava o jongo para universitários e estudantes em geral e chegou a participar da gravação de CDs de novos artistas. Ao morrer, em dezembro de 2001, deixou como herdeiro dos toques dos tambores do jongo seu filho Darcy Antônio.

Tia Eva Emely Monteiro (1938 – 1994)
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Eva Emely Monteiro nasceu em 18 de agosto de 1938 no Morro da Serrinha. Filha de Vovó Maria Joana e Pedro Monteiro, teve dois filhos, Pedro e Dely, atualmente cantora do jongo. Sempre morou com a mãe, seguindo os seus passos de jongueira, sambista e mãe-de-santo. Aprendeu a dançar o jongo ainda criança, observando seus pais nas rodas da Serrinha com seu irmão Darcy. Tia Eva era uma excelente compositora de sambas, curimas e pontos de jongo. Ensinou a dança para muita gente, ajudando a mãe e o irmão nessa tarefa. Após a morte de Vovó, herdou a responsabilidade de continuar realizando as festas na Tenda Espírita Cabana de Xangô. Comandava os toques dos tambores do terreiro de umbanda ensinando os ritmos para os ogãs batendo com a palma das mãos. Eva era integrante do Império Serrano, escola fundada por seu pai. Era responsável por toda uma ala, cuidando das fantasias e do desempenho de cerca de 200 pessoas no desfile do Carnaval. Nas famosas festas na casa de Vovó Maria, era ela quem organizava tudo e cozinhava a comida em grandes panelões.
Vovó Teresa (1864 – 1979)e Mestre Fuleiro
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Nascida em Paraíba do Sul, Vovó Teresa morreu na Serrinha aos 115 anos. Antiga jongueira do tempo do cativeiro, Vovó Teresa trabalhou como empregada doméstica do Marechal Deodoro da Fonseca e mesmo com idade avançada insistia muito para que seus filhos, Antônio Fuleiro e o jongueiro da Portela Antônio Rufino, dançassem com ela nas rodas de jongo. Ensinou a dança, os pontos e alguns mistérios antigos do jongo para os mais novos da Serrinha. Mestre Fuleiro, seu filho, ficou famoso no mundo do samba como o maior Mestre de Harmonia do Império Serrano. A respeito da atitude de Mestre Darcy de introduzir instrumentos de harmonia no jongo, ele dizia: “Acho que ele está certo. Quem dera que um preto-velho fosse permitido pelo senhor pegar num violão ou numa viola, por isso só tocavam tambor mesmo… Só acho que nesses espetáculos deve-se mostrar também o jongo cru como ele é mesmo”. Vovó Tereza morava na rua Lambari, atual rua Antônio dos Santos Fuleiro. Dançou o jongo até morrer e bem velhinha ainda participava dos shows do grupo Jongo da Serrinha a convite do Mestre Darcy. Para relembrar a vinda de Paraíba do Sul para Madureira num trem “Maria Fumaça” ela cantava: “Vapor berrou na Paraíba, chora eu. Fumaça dele na Madureira, chora eu.”
Dona Marta (1886 – 1963)
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Marta Ferreira da Silva, filha de José Ferreira e Maria Francisca Ferreira, nasceu no estado do Rio de Janeiro em 26 de julho de 1886 e faleceu em 28 de abril de 1963, em Madureira. Mãe-de-santo conceituada na Serrinha, em sua casa, o Terreiro d’Ogum, na rua Itaúba 298, havia jongo no dia de Sant’Ana, seu aniversário. Lavadeira de profissão, ainda jovem foi sambista da escola de samba Rainha das Pretas e da Coração Unidos de Rocha Miranda, transferindo-se depois para o samba da Serrinha. Desfilou de baiana no Império Serrano desde sua fundação, em 1947. Figura popularíssima no local, a cada manhã de domingo do carnaval Dona Marta percorria as ruas vizinhas do morro fantasiada com vistosa indumentária de índio. Na abertura do jongo na casa de Dona Marta, João Ricardo, jongueiro de Jacarepaguá marido de Dona Rosa, puxava o ponto inaugural, com solenidade: “Vamos abrir terreiro,/foi Sant’Ana quem mandou./ Na casa de Dona Marta, /foi Sant’Ana que mandou.”
Tia Maria da Grota (1920)
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Tia Maria de Lourdes Mendes nasceu na rua da Balaiada em 30 de dezembro de 1920. Filha do pioneiro Zacarias e de Etelvina, teve nove irmãos que, juntos, fundaram o Império Serrano, entre os quais Sebastião Molequinho,Tia Eulália, Dona Conceição e João Gradim. “Imperianos” das primeiras horas, todos foram criados desde pequenos em ambiente festivo, interessando-se sempre pelo carnaval, pelas festas juninas e pelas pastorinhas. A família sempre foi presença obrigatória entre os sambistas do Império. Tia Maria saiu na Ala das Baianas da agremiação durante toda a vida. Desde pequena, assistia aos jongos e macumbas na Serrinha, embora seja católica praticante. Em 1977, foi convidada por Mestre Darcy para entrar no grupo Jongo da Serrinha. A partir daí, nunca mais parou.

Comadre de Vovó Maria Joana, nasceu na casa em frente à dela. As duas famílias sempre mantiveram fortes laços de amizade e comadrio. Muito respeitada por atualmente ser a jongueira mais antiga da Serrinha, Tia Maria tornou-se a líder do grupo. O quintal de sua casa vive cheio de crianças que passam as tardes brincando, comendo bolo de coco, canjica e sua comidinha mineira deliciosa. Querida por todos, Tia Maria faz lembrar o clima familiar da Serrinha. Nos últimos anos, sua casa tornou-se o local de confraternização do grupo, que ali ensaia e festeja antigas tradições como a feijoada em homenagem aos pretos-velhos no dia 13 de maio, a distribuição de doces de São Cosme Damião no 27 de setembro e as rodas de jongo em seu quintal. De alguns anos para cá, além de dançar maravilhosamente, Tia Maria passou a compor pontos de jongo e a cantar nas apresentações.

Seu Nascimento (1901 – 1953) e Tia Eulália (1908)

José Nascimento Filho, empregado da Resistência do Cais do Porto, nasceu em Três Rios no dia 19 de março de 1903, dia de São José. Marido de Tia Eulália, Seu Nascimento dava o jongo a cada aniversário seu, quando acorriam à sua casa famosos jongueiros do antigo Distrito Federal e do interior do estado do Rio. Acordava cedo, vestia-se de branco com uma camisa azul e dirigia-se à Igreja de São José, no Centro, para assistir à missa do santo. Voltava para casa e começava a preparar as comidas e os foguetes para a festa à noite. De madrugada, o chão do terreiro cobria-se de flores atiradas pelos jongueiros. Eulália do Nascimento, a famosa Tia Eulália, nasceu em 12 de março de 1908 em São José de Além Paraíba / Porto Novo do Cunha, em Minas Gerais, e veio com um ano para o Morro da Serrinha, trazida pelos pais Zacarias e Etelvina, ali permanecendo até hoje. Na infância, viveu numa Serrinha que parecia uma floresta, com bambuzais, cachoeiras e até onça jaguatirica. Seu pai, Francisco Zacarias de Oliveira, foi o precursor dos blocos de carnaval na Serrinha e na cidade do Rio, como o Dois Jacarés.

Amigo do Ministro Edgard Romero, tinha muita influência conseguindo benfeitorias para a comunidade. Sua casa vivia repleta de músicos que organizavam pastoris, gafieiras, serestas e obviamente muitas rodas de samba. Mano Elói dizia que o espírito festivo daqueles nove irmãos filhos do senhor Zacarias Oliveira, já era suficiente para a criação de uma escola de samba. Em 1947, na casa de Tia Eulália e Seu Nascimento na rua Balaiada, no alto do morro, foi fundada a Império Serrano. Tia Eulália é portadora da carteirinha número1 da escola que defende com todo o fervor. Nos ensaios até tarde da madrugada e no desfile da escola ela sempre inspeciona tudo com muito rigor. Conheceu o jongo quando casou com o Seu Nascimento mas seu maior interesse sempre foi o samba.

Vovó Líbia e seu Antenor
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A casa de Antenor dos Santos, trabalhador da estiva, foi um importante centro irradiador de cultura popular. Mineiro como sua mulher, Dona Líbia, ele dava o jongo no dia de São Pedro, 29 de junho. Nesse dia, antes do início do jongo, Antenor reunia as crianças e os adultos das redondezas e, por volta das dez horas da noite, com Vovó Maria Joana, rezava a ladainha em louvor ao santo do dia na pequena capela que existia no quintal da sua casa. Nessas ocasiões, o terreiro ficava sempre embandeirado com a fogueira acesa. Já Dona Líbia, mulher de Seu Antenor, era responsável por um grupo de Pastorinhas que no Natal se dirigia à casa de Dona Lucinda, em Vaz Lobo, para apresentar-se para as colegas de lá. A cada 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, estando o presépio armado desde o mês de novembro, Dona Líbia procedia à Queima da Lapinha. Gina, neta do casal, atualmente é integrante da Bateria do Império Serrano e até hoje dança o jongo.
Aniceto do Império
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Aniceto de Menezes Silva Junior foi o maior representante do partido-alto. Desafiava qualquer um na roda a improvisar mais tempo do que ele. Filho de cariocas nasceu em 11 de março de 1912 no bairro do Estácio de Sá. Foi criado pelo lendário Hilário Jovino, criador dos primeiros ranchos de carnaval do bairro da Saúde, local de nascimento do samba. Era estivador do Cais do Porto, onde trabalhou até se aposentar. Andava pelas rodas de samba, afoxés e umbandas da Saúde, Pedra do Sal e dos subúrbios de Madureira. Desde criança, revelou um talento extraordinário para declamar e criar poesias de improviso. Era capaz de ficar horas a fio improvisando, demonstrando uma agilidade mental fabulosa. Seus versos eram muito “gaiatos”, cheios de picardia, e em alguns momentos serviam de galanteios para alguma moça bonita presente. Aniceto foi o orador oficial da Império Serrano, escola que ajudou a fundar. Gostava muito de demonstrar um rico vocabulário e uma dicção perfeita. Nunca abandonou sua escola de coração, mesmo quando começou a ganhar fama de fantástico versador, de voz forte e metálica, passando a ser assediado pelas escolas concorrentes. Grande compositor gravou excelentes discos. Aniceto participava das rodas de jongo da Serrinha e tinha muito respeito pela dança: “O jongo mata, o jongo não é de brincadeira, o jongo é das almas… Deve-se acender uma vela, do lado desta vela um copo d’água. O jongo é o pai de muitas outras músicas que existem por aí.”

Djanira do Jongo (1934 – 1995)
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No Morro da Congonha em frente ao da Serrinha, cujo contingente de sambistas viria a ser absorvido pelo Império Serrano, também havia jongo. Djanira do Jongo, morta em 1996, foi criada pelos antigos jongueiros Dona Florinda e Seu Gabriel Gordo. Aprendeu a dançar o jongo naquele terreiro, no alto do morro em frente à Serrinha. Dona Florinda e Seu Gabriel davam o jongo no dia de São Jorge. Com Djanira, dançavam as meninas Chãozinha, Leda, Lizete e os filhos de Florinda: Quincas, Vicentinho, Nadinho, Antônio, Glória e Geni. Dona Amélia, irmã de Dona Florinda, também estava sempre lá. Djanira e seu marido, o sambista Carlinhos Vovô, faziam parte da Velha Guarda do Império Serrano. Ela cantava e sambava muito bem e era conhecida por todos os sambistas. Foi pastora dos grupos de samba de Aniceto, Candeia e Jovelina Pérola Negra e era a cantora da Velha-Guarda do Império. Participou das apresentações do grupo Jongo da Serrinha desde sua fundação, e compôs o ponto Treze de maio. Filha do jongueiro de Minas Gerais João Batista Cruz, recordava do pai cantando: “O segredo da parede,/barata é que sabe tudo.”