Equipe do Centro de Memória trabalha no restauro, identificação e organização do acervo exposto na Casa do Jongo da Serrinha
As paredes da Casa do Jongo da Serrinha guardam mais do que tinta e reboco: guardam memória, afeto e resistência. Em um trabalho cuidadoso e dedicado, a equipe do Centro de Memória do Jongo da Serrinhaestá realizando o restauro, a identificação, a molduração e a preparação de legendas do acervo exposto nas paredes da instituição, com destaque especial para o espaço dedicado à Tia Maria do Jongo (1920-2019), uma das principais lideranças e matriarcas do jongo no Brasil.
Um Trabalho de Amor e Técnica
O processo de restauro e organização do acervo exposto envolve múltiplas etapas que combinam conhecimento técnico museológico e sensibilidade comunitária. A equipe tem trabalhado na:
- Limpeza e conservação das fotografias e documentos expostos
- Identificação e catalogação dos itens, utilizando a metodologia do Inventário Participativo
- Molduração adequada para preservação e exposição
- Elaboração de legendas contextualizadas que contam não apenas o que está na imagem, mas o significado histórico e afetivo de cada registro
Esse trabalho segue os princípios do projeto Acervo Jongo da Serrinha (29573/25), que integra preservação física, digitalização e difusão do patrimônio documental e iconográfico do jongo, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN desde 2005.
Tia Maria do Jongo: Uma Vida Dedicada à Memória
O espaço em restauro é especialmente dedicado à Tia Maria do Jongo, que liderou o Grupo Cultural Jongo da Serrinha por mais de três décadas. Seu quintal, na Grota, foi um dos principais espaços de preservação e transmissão do jongo no Rio de Janeiro.
Tia Maria deixou um legado material e imenso: fotografias, documentos, prêmios, anotações e objetos que agora são cuidadosamente organizados e expostos para que novas gerações possam conhecer, estudar e se encantar com a força do jongo.
Como ela mesma dizia: “Não somos donos de nada. Tudo que sabemos, devemos passar adiante.”
Memória Viva, Trabalho Coletivo
O restauro das paredes do Centro de Memória não é apenas uma ação técnica — é um ato de reconhecimento, pertencimento e continuidade. Cada fotografia identificada, cada legenda preparada, cada moldura ajustada é parte de um processo maior de salvaguarda da memória viva do jongo.
A equipe do Centro de Memória segue trabalhando com respeito, cuidado e dedicação para que o acervo do Jongo da Serrinha continue sendo um espaço de referência, educação e inspiração para toda a comunidade e para o Brasil.