Em foto desbotada, Tia Maria está em pé em uma varanda, à frente de uma porta marrom fechada. Ela é uma mulher negra e usa roupas brancas: vestido rendado com mangas curtas e lenço à cabeça, que cai acima de um ombro. Ela olha para frente e está com uma das mãos na cintura. Usa colar, pulseiras, relógio, anel, e sandálias com salto plataforma. A varanda tem azulejos à meia altura, brancos com estampas cinzas. Os patamares são brancos. Nela, há cadeiras com estofados brancos e vermelhos. No rodapé da foto, está escrito à caneta: 10-10-77.
Equipe do Centro de Memória trabalha no restauro, identificação e organização do acervo exposto na Casa do Jongo da Serrinha
As paredes da Casa do Jongo da Serrinha guardam mais do que tinta e reboco: guardam memória, afeto e resistência. Em um trabalho cuidadoso e dedicado, a equipe do Centro de Memória do Jongo da Serrinhaestá realizando o restauro, a identificação, a molduração e a preparação de legendas do acervo exposto nas paredes da instituição, com destaque especial para o espaço dedicado à Tia Maria do Jongo (1920-2019), uma das principais lideranças e matriarcas do jongo no Brasil.

Um Trabalho de Amor e Técnica

O processo de restauro e organização do acervo exposto envolve múltiplas etapas que combinam conhecimento técnico museológico e sensibilidade comunitária. A equipe tem trabalhado na:
  • Limpeza e conservação das fotografias e documentos expostos
  • Identificação e catalogação dos itens, utilizando a metodologia do Inventário Participativo
  • Molduração adequada para preservação e exposição
  • Elaboração de legendas contextualizadas que contam não apenas o que está na imagem, mas o significado histórico e afetivo de cada registro
Esse trabalho segue os princípios do projeto Acervo Jongo da Serrinha (29573/25), que integra preservação física, digitalização e difusão do patrimônio documental e iconográfico do jongo, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN desde 2005.

Tia Maria do Jongo: Uma Vida Dedicada à Memória

O espaço em restauro é especialmente dedicado à Tia Maria do Jongo, que liderou o Grupo Cultural Jongo da Serrinha por mais de três décadas. Seu quintal, na Grota, foi um dos principais espaços de preservação e transmissão do jongo no Rio de Janeiro.
Tia Maria deixou um legado material e imenso: fotografias, documentos, prêmios, anotações e objetos que agora são cuidadosamente organizados e expostos para que novas gerações possam conhecer, estudar e se encantar com a força do jongo.
Como ela mesma dizia: “Não somos donos de nada. Tudo que sabemos, devemos passar adiante.”

Memória Viva, Trabalho Coletivo

O restauro das paredes do Centro de Memória não é apenas uma ação técnica — é um ato de reconhecimento, pertencimento e continuidade. Cada fotografia identificada, cada legenda preparada, cada moldura ajustada é parte de um processo maior de salvaguarda da memória viva do jongo.
A equipe do Centro de Memória segue trabalhando com respeito, cuidado e dedicação para que o acervo do Jongo da Serrinha continue sendo um espaço de referência, educação e inspiração para toda a comunidade e para o Brasil.