Em foto desbotada, Tia Maria está em pé em uma varanda, à frente de uma porta marrom fechada. Ela é uma mulher negra e usa roupas brancas: vestido rendado com mangas curtas e lenço à cabeça, que cai acima de um ombro. Ela olha para frente e está com uma das mãos na cintura. Usa colar, pulseiras, relógio, anel, e sandálias com salto plataforma. A varanda tem azulejos à meia altura, brancos com estampas cinzas. Os patamares são brancos. Nela, há cadeiras com estofados brancos e vermelhos. No rodapé da foto, está escrito à caneta: 10-10-77.

Nesta reta final do projeto, reafirmamos o acervo como ferramenta pedagógica ativa de valorização da ancestralidade e da história afro-brasileira.

O trabalho de preservação da memória só cumpre seu papel social quando é compartilhado. Nesta reta final do projeto Acervo Jongo da Serrinha, reafirmamos nosso compromisso com a educação patrimonial e o diálogo intergeracional. Nos dias 13 e 14 de October de 2026, tivemos a honra de receber as turmas do ensino fundamental e médio do CIEP 171 Brizolão José Américo Pessanha, de Duque de Caxias, para uma visita pedagógica ao nosso espaço.

O objetivo da ação foi profundo e necessário: aprofundar o conhecimento dos estudantes sobre a história de Vovó Maria Joana, compreender a ancestralidade como pilar de resistência e conhecer de perto o território que guarda mais de 60 anos de tradição jongueira.

Durante a visita, os alunos e professores não apenas observaram documentos, fotografias e objetos em processo de catalogação e digitalização, mas vivenciaram a oralidade e a história contada por quem mantém o jongo vivo. Foi um momento de troca, onde o acervo deixou de ser apenas um registro do passado para se tornar uma ferramenta ativa de aprendizado no presente.
O Acervo como Ferramenta de Educação e Resistência
Essa ação é um reflexo direto das diretrizes centrais do nosso projeto, alinhadas ao Plano Nacional Setorial de Museus e à Lei 10.639/03. Ao receber escolas de fora do território, o Centro de Memória cumpre seu papel de museu social, promovendo o reconhecimento do jongo como Patrimônio Cultural do Brasil e combatendo o apagamento histórico da cultura afro-brasileira.

Como nos ensinou a matriarca Vovó Maria Joana: "Não somos donos de nada. Tudo que sabemos, devemos passar adiante." Receber estudantes é semear esse conhecimento, garantindo que a nova geração compreenda que a Serrinha é um território de saberes, afeto, luta e identidade.

O trabalho de digitalização, catalogação e difusão que realizamos ganha seu sentido mais pleno quando vemos esses conteúdos sendo absorvidos, questionados e multiplicados nas salas de aula. Agradecemos ao CIEP 171 Brizolão José Américo Pessanha pela presença, pelo respeito e pelo diálogo construído.

Seguimos de portas abertas para quem quiser conhecer, aprender e somar na proteção do nosso patrimônio imaterial.

Este projeto foi possível graças ao apoio do @museusbr @minc.